Quando seus momentos de idealização do prazer se transformaram em dor,
quando os seus sonhos românticos se despedaçaram em realidades
e não se encaixaram nas incessantes tentativas de aprender amar...
Eu não suportei imaginar e perguntei por que eu não estava lá?
Quantas noites de luto tivestes que suportar para comprovar o seu valor?
Quantas bebidas, tragos, leitos, lábios e mãos tivestes de provar
para tentar viver, para se convencer de que não precisaria de mais nada...
Eu nem consigo imaginar, por que não discerni isso antes?
Quando te marcaram a tez, cingiram sua epiderme e não te deram o deleite,
quando tivestes de experimentar outras sensações para quiçá achar explicações,
era inevitável, a fortuna lhe sorria e outra vez causava ódio...
Eu estremeço e despedaço ao imaginar, por que não pude te proteger?
Quantas vezes lutou contra seus anseios, seus ensejos, suas razões?
E em quantas outras questionou o motivo de tanto pranto?
Mas não cedestes: tentastes de todas as maneiras abrir os olhos de medusa
para o amor não se decompor em pedra, não se derreter feito estátua de sal.
Eu não estava lá, não te protegi, não pude abstrair as fronteiras,
não te conheci antes, não me rendi no primeiro momento
mas, não perguntarei mais os porquês...
Já que do que não pude, farei o seu conforto,
daquilo que não fiz, farei o seu porto,
daquilo que sonho, construirei sua morada,
onde, enfim, se sentirá protegida e amada.
Ps: dedicado a Ana Carolina Bardella.