Os pés descalços na poeira,
a velocidade das pernas longas solar
as refeições secas de alegria
o deslocar-se pelo líquido vida purificador,
nada disso intimida o garoto haitiano.
Mas, aos tremores escombros que trucidam,
que fazem suas costas pesarem mais do que o dia-a-dia
submersas de concreto capital
o faz pensar que é o fim de uma guerra,
OU NÃO
é mais um capítulo da batalha que sua biologia se adapta e incorpora
que sua psicologia não reflete mas encara.
São 8 dias sem o mísero pão
São 8 dias sem água em latas
E o fôlego da vida pulsante...
O que parecia imóvel ganha flexibilidade
e das cinzas que deram cor ao poeril
surgem os braços abertos da glória,
da luta diária pela vida.
Diante dos aplausos, dos flashes e focos,
9 anos de intensa vivência nos ensinam:
diante dessas mazelas da vida
quantos de nós resistiríamos?
quantos abririam seus braços?
Diante das mazelas da vida,
Qual o nosso comprometimento?
E do alto dos seus cabelos brancos,
os governantes, empresários e comerciais
tem muito que responder para o garoto haitiano:
Pra que tanta labuta?
Quais as suas condutas?
Bando de filhos da puta!
Vá, emocione-nos garoto haitiano,
abra as asas e voe com suas marcas
para mais vários e vários dias de luta.
3 comentários:
É o Haiti nos ensinando a resistir quando dificuldades como essas surgem em meio a outras já enormes dificuldades. Infelizmente, ao invés dos (des)governos desse mundo mandarem mais médicos e alimentos pra lá, insistem em mandar mais soldados pra reprimir o desespero desse povo. é assim que vou aprendendo a cada dia que passa que os garotos haitianos, os das perifeiras do Mato Grosso, do Pará ou de São Paulo são muito mais fortes que qualquer exército do mundo.
Fábio,
O Haiti é tristemente poético. Já inspirou muitos versos por incrível que pareça, né...rs...
É uma tragédia de dimensões gigantescas. 2% da população haitiana morreu!
Fazer poema desse lugar sem cair no piegas, é difícil... você conseguiu.
Abraços
Não dá para comentar muita coisa, o poema fala por si só.
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