Meninos de verão
a vertigem pontilhada
negro caminho que seguiram
em busca da morada
e os sonhos que tinham
rompidos na curva da estrada.
Meninos de verão
é tarde pra voltar
foi cedo pra se decidir
por que tal experiência tem de ser o fim?
não é na juventude que mora o prazer?
não é tempo de experimentar?
Os limites dos cavalos
o ilimitado som da máquina
um tronco no caminho
voltas em torno do próprio corpo em movimento
a visão pra além do firmamento
o último suspiro ainda foi doce.
A eterna espera dos pais
a terna lembrança do nunca mais
fraterna memória dos colegiais
e aqueles que não conheceram
um sentimento de cumplicidade
a dor feita somente pela projeção.
Meninos de verão
Onde estão?
Onde estarão?
Existem coisas em vão?
Meninos de verão
Não se vão
Aos que aqui ficarão
Um segundo de atenção
Aos novos eternos
Meninos de verão
que agora são cometas
deslizando e se encontrando
na magia da última explosão!
Obs: dedicado aos meninos e meninas que partiram como cometas em acidentes automobilísticos na região de Dracena, interior do estado de São Paulo.
3 comentários:
Uma homenagem belíssima. Muito sensível. Bj
Fafá,fico contente com a nova safra.
Particularmente esta,me tocou profundamente,simplesmente,arrepia.
Triste e muito bonito!
Parabéns querido amigo!
Postar um comentário