sexta-feira, 6 de julho de 2007

Um pequeno recado

Eu não vou ficar parado
e nem vou pedir um trago.
Já vivemos num mundo de escravidão racial
e de limitações a liberdade feminina.
Não vou ficar restrito ao Jornal Nacional,
não perderei meu tempo cheirando gasolina.

Eu não vou ficar parado
e não vou achar que isso tudo é normal.
O que lhe parece aceitável no ser humano,
nos garantirá mais uma década de conformismo.
Não esperarei o próximo feriado,
não ficar parado é um processo do otimismo.

Eu não vou ficar parado
tentando achar o culpado,
como se o culpado só pertencesse ao passado.
E o que fazem com o mundo os marketeiros e publicitários?
Lhe vendem consumo e capital,
ideais contra revolucionários.

Eu não vou ficar parado
até ficar viciado.
Não vou esperar que chegue o óbvio
pra entender que estava tudo errado.
Eu não vou ficar parado
nem vou lhe pedir mais um cigarro.
Pois o proibido um dia já foi permitido.
Hoje, proibido é o que mais gera lucro.
E você achando que o uso do proibido
é fazer revolução, é alternativo.
Pois o permitido também já foi proibido.
Paradoxo, um jogo que me é permitido.
Você somado ao proibido, igual a lucro.
Permitem seu uso camuflado, igual a alienação.

Eu não vou ficar parado
e nem vou mudar de lado.
Não passarei o dia todo vigiado,
não deixarei instalarem chips no meu braço.
Hoje ainda temos "o Grande Ditador",
ele aparece no horário "nobre" como o democrático,
e os revolucionários, lá, são agentes do terror.

Eu não vou ficar parado
Pois sei que a fome humana é tamanha
e o prato oferecido é cada vez mais raso.
Não vou esperar a próxima era me provar.
Para os que têm sede de justiça,
para os que se sentem humilhados,
para os que sabem o que é ser revoltado,
um pequeno, porém grande, recado:
EU NÃO VOU FICAR PARADO!

1 comentários:

Dalva disse...

Gostei imenso de seus poemas....simplicidade, elegância na estética, e sobretudo uma consciência social não panfletária.
Parabéns!