sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

A rede social

Você tem que curtir!
Você tem que comentar!
Você tem que consumir!
Você tem que compartilhar!

Coloque seus óculos escuros,
esqueça o Sol que bate lá fora,
ame muito tudo isso,
consuma toda essa droga...

Se o mar não está pra peixe, jogue sua rede
é você que está sendo encostado na parede.

Você tem o que curtir?
Você tem o que alimentar?
Você tem o que sentir?
Você tem o que esperar?

Listas de amigos, as dores de um parto
raridades no perfil de que estou farto,
dois mil amigos na solidão do seu quarto

Se o mar não está pra peixe, jogue sua rede
é você que está sendo encostado na parede.

Você é aquilo que postou?
Você é um pop star?
Você crê no que twittou?
Você tem de abdicar!

Uma filosofia de vida preenchida no perfil,
palavras de efeito, o coração a mais de mil,
nostalgia em imagens, um tempo que nunca existiu

Se o mar não está pra peixe, jogue sua rede
sua identidade foi aterrada tão de repente...

Ps: da série Canções para Concertos de Rock

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Vênus e a prosperidade

Quando seus momentos de idealização do prazer se transformaram em dor,
quando os seus sonhos românticos se despedaçaram em realidades
e não se encaixaram nas incessantes tentativas de aprender amar...
Eu não suportei imaginar e perguntei por que eu não estava lá?

Quantas noites de luto tivestes que suportar para comprovar o seu valor?
Quantas bebidas, tragos, leitos, lábios e mãos tivestes de provar
para tentar viver, para se convencer de que não precisaria de mais nada...
Eu nem consigo imaginar, por que não discerni isso antes?

Quando te marcaram a tez, cingiram sua epiderme e não te deram o deleite,
quando tivestes de experimentar outras sensações para quiçá achar explicações,
era inevitável, a fortuna lhe sorria e outra vez causava ódio...
Eu estremeço e despedaço ao imaginar, por que não pude te proteger?

Quantas vezes lutou contra seus anseios, seus ensejos, suas razões?
E em quantas outras questionou o motivo de tanto pranto?
Mas não cedestes: tentastes de todas as maneiras abrir os olhos de medusa
para o amor não se decompor em pedra, não se derreter feito estátua de sal.

Eu não estava lá, não te protegi, não pude abstrair as fronteiras,
não te conheci antes, não me rendi no primeiro momento
mas, não perguntarei mais os porquês...
Já que do que não pude, farei o seu conforto,
daquilo que não fiz, farei o seu porto,
daquilo que sonho, construirei sua morada,
onde, enfim, se sentirá protegida e amada.

Ps: dedicado a Ana Carolina Bardella.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A + O = E

A imprensa denuncia o poder político.
O poder político acusa o exercício da imprensa marrom.
A imprensa se defende e algumas vezes muda repentinamente de opinião.
O poder político mantém a supremacia e escolhe sua representação midiática.
E enquanto isso, somos imprensados nas rodas da máquina do poder político.

21

Por que espera que alguém te ouça?
realmente queres ser ouvido?
entenda-se antes, queira menos
por que espera ser compreendido?
Os problemas são só seus,
aprenda pelo menos isso.
Vivendo o que pensa ser limites
quais são os seus compromissos?

Aquela garota perfeitinha dos seus sonhos não existe
Aquele sonho que tinha te deixa tão triste
É duro ter que aceitar que o sonho de garoto acabou
O que você espera do futuro o passado já negou

Por que agora não aprende ouvir?
tantos querem ser ouvidos.
Além desse lugar há um muro
Por quem espera ser compreendido?
Os problemas são de todos.
me diz: vai ficar paralisado?
O amor é uma porta entreaberta
por quem espera ser correspondido.

Uma vontade inexistente de repente ainda existe
Um novo sonho surge e não é reprise
Aprender a ler o mundo, sair do lugar comum
Os sete da vida fora e já temos vinte um.

Ps: da série canções para concertos de Rock.

Jardim Secreto 2011

Num piscar de olhos
no segundo de fração,
as areias irão correr,
o análogo adentrará:
Um jardim secreto,
as mão suadas,
as chaves da decepção...
Garantia estendida, e
nas portas do paraíso
O slogan da maldição.
Láureos divinos,
Flores do mal,
o gosto salgado:
O preço da liquidação.
As grades foram abertas,
o novo é a repetição
desejo a primavera
minha alma em redenção...

Por um mundo mais doce

Acorda todo dia e vai pra escola
Espera dias melhores, que virão?
Já não mata o tempo ou joga bola
Melancolia em acordes de violão
Do futuro qu’espera não vê a hora
Sonha com sua banda em ascensão
Mas o deleite entrava na demora
Lê e divaga da janela do busão

Era à distância entre os iguais
Estranho errante personal
Duvida das notícias de jornais
Sem intervalo, um comercial
Clímax antes de um enredo
Como se tudo antes já fosse
É por um mundo mais doce
Por um mundo mais doce!

O que acontece com este garoto?
Lágrimas, sangue e suor
Por que é tão amargo?
Insistem todos ao seu redor
Chega de heróis com overdose
Já tá na hora de sobreviver
Não em cima do muro, aposte
Ideologia, tem uma pra viver

Era à distância dos idênticos
Estranho errante dos iguais
Buscando ser autêntico
Longe demais das capitais
Incessante bem tão maior
Como nunca dantes fosse
É por um mundo mais doce
Por um mundo mais doce!

Ps: da série canções para concertos de Rock.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Capitalismo e cultura

Não vale quanto pesa
Não pensa o quanto vale
Não pesa quanto vale
Não vale quanto pensa.

sábado, 17 de julho de 2010

A liberdade da razão

Não valeu a pena ter razão
Na razão é só o que ela crê
Não me valeu a iluminação
Amor foi tudo tão démodé
Esclarecidos como ruínas
As nossas sobras pelo chão
A paixão é sua indisciplina
Onde estava a inspiração?

Eu quis de tudo, eu acreditei
Amor eu só queria sua mão
Não há o dono da verdade
Não existiu multiplicação

Porque era tão experimental?
Querida, sozinha na estrada
Nem sempre será carnaval
A dois poderíamos sobrevier
Mas o que te sobra de opinião
Tem me faltado de coragem
Foram respostas sem questão
Tudo antes do amanhecer

Eu quis de tudo, eu acreditei
Amor eu só queria sua mão
Não há soberania da verdade
Não nos existiu divisão

Agora cruze esta estrada
O gosto amargo do conhaque
Querida não foi nada
Eu amava e vai passar

Eu quis de tudo, eu desacreditei
Amor eu só queria entender
Por que não levamos em conta
toda insustentável leveza do ser

Ps: da série canções para concertos de Rock.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Arte pós-moderna e os limites fronteiriços

na poesia tudo é biográfico
na realidade nada é real
num ensaio fotográfico
num documentário policial
nada escrito telegráfico
numa ficção comercial
nos horizontes gráficos
no verossímil trivial
em assuntos geográficos
ou num delírio espacial
a arte imita o tráfico
a vida alegoria carnaval

quinta-feira, 10 de junho de 2010

A dupla vida de M. Ruiz

Ele ainda se deita de olhos abertos
ao vivo, disforme e as cores
Ele ouve música de olhos fechados
Ao que tudo indica
acorda a sentir o sabor
vai aonde fores
O duplo vaga além dos vapores
persegue, igual, livre e fraterno
em algum lugar do passado
imediato e ao que tudo em dia
Valores, novo peso, outra medida
Ele ainda observa o pouso certeiro
será feliz, é feliz, serás feliz?
vida de papel, via de mão dupla
Ele ainda observa a estrada perdida
o bater das leves asas no canteiro
fragmentos solitários pensamentos
é aquilo que todos indicadores
Com quem será? Com quem será?
Com quem será que o Mário vai casar...
Ao que tudo em dica, Quem será?
Ao que tudo indica Dores!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Questão de sobrevivência

Não tenho tudo que preciso
tenho mais do que preciso
não tenho sido preciso
precioso tempo impreciso
já não me basta
já não me agrada
preciso urgentemente
perigo tanto não querer
peritos induzem o aceite
e a fuga era questão de sorte,
condição de tempo pré-estabelecida,
fast, fast, fast, consuma
em suma, imprevisto,
não me era preciso.

domingo, 16 de maio de 2010

Sobre as batalhas dessa Guerra

Quantas batalhas serão necessárias para o fim da guerra?
ela jamais cessa
a paz é promessa
eu tenho pressa
que luta é essa?

a vida é tênue
a vida é curta
café com creme
pra vida dura

E se a vida durar
que não seja apenas
ter do que lamentar
recolher os corpos
cuidar dos feridos
rezar pr’os mortos

a minha banda larga
a minha fé estreita
o meu hd profundo
a minha razão rasa
na beira da estrada
o meu fôlego curto
vão cobrar os juros
ah! minha loucura branda...

não verei o fim?
há de ter um fim
há de ter um meio
vamos sem receio
pois,
se vencemos as batalhas,
a vida é uma guerra.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Vírus cosmopolita

Estranho percurso
poeira na estrada
corpo colérico
a visibilidade reduzida...
Não há mais saída
falhas estatísticas
ao pó volveremos,
um brinde à insanidade
As ruas estão tomadas
- ninguém voltará -
satélites fora de órbita,
adeus carne corrosiva.
A inflamação catastrófica
doses letais para covardes
líquido indolor que arde
mas, não tem jeito
está aqui, ali, em toda parte!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Ela é!

Ela é linda como eu nunca a quis
verdade que não se enxerga na ponta do nariz
Ela é a alegria como eu sempre quis
é a certeza aos olhos, como cicatriz
Me lembra a flor bordada
intrépido desabrochar matinal
jogos musicais ao anoitecer
a vida a dois pra sonhadores...
conversas virtuais na madrugada
e esqueço do calor infernal
tudo para seu bem merecer
nos identificar não altera os fatores
Me traz a lembrança de leves vestidos de cor
do mais saboroso sorriso que posso sentir.
Ela é beleza como eu nunca quis,
talvez, pelo medo que me toma
e a vontade maior que a distância perturba,
mas ela é linda em todos os sentidos
como eu já não consigo me desfazer.

Ps: dedicado a alguém...

terça-feira, 6 de abril de 2010

Pensei que era Rock

Pensei que era Rock!? Pensei que seria Rock!?
O que esses caras barbados estão fazendo aqui?!
Pensei que era Rock!? Pensei que fosse Rock!?
Pra quê empunhar guitarras e distorções?!
Pensei que era Rock!? Pensei ter visto Rock!?
O que esses caras tatuados estão fazendo aí?!
Pensei que era Rock!? Pensei que havia Rock!?
Miras e miragens, estranhas reações?!

Quantos tão dispostos a seguir o show?
Trazer de volta o bom e velho rock n’roll?

Pensei que era Rock!? Pensei ter visto Rock!?
Pra quê essas roupas retrôs e demodês?!
Pensei que era Rock!? Pensei que fosse Rock!?
Era somente o retorno de alguns clichês?!
Pensei que era Rock!? Pensei ouvir Rock!?
Esses gritos só alimentaram a insatisfação?!
Pensei que era Rock!? Pensei que seria Rock!?
Girei o botão cansado de acordes alienação?!

Quantos tão dispostos a seguir o show?
Trazer de volta o bom e velho rock n’roll?

Pensei que era Rock!? Pensei que seria Rock!?
Não é nostalgia, eu quero poder gritar!
Pensei que era Rock!? Pensei que seria Rock!?
Sei que ainda há tanto pra gente lutar!
Pensei que era Rock!? Pensei que seria Rock!?
A poesia que regia o caos pós-moderno?!
Pensei que era Rock!? Pensei que seria Rock!?
Descanse em paz... num repouso eterno?!

Quantos tão dispostos a medir o show?
Cifra$ e riffs, quanto vale o rock n’roll?

Ps:da série canções para concertos de Rock.

Masturbação mental

profusões de paródias
pré-postas
em prosopopéias punks:
masturbação mental

quinta-feira, 25 de março de 2010

Desafeição de amor

Ele meu desafeto
minha falta de afeição
Ela e sua falta de afeto
pra toda minha devoção
Um começo, germinal
fato concebido, um feto
clímax, um vendaval
amor, de sangue, de concreto
minha contradição.

segunda-feira, 15 de março de 2010

O resto é silêncio

As sobras
Há sobras
Detritos, vestígios
Uma conexão
amontoados digitais
cadastro de pessoas físicas
gritos na multidão
senha pra escapar
login para acesso
milhas e milhas de consumo
pragmáticas frases soltas
Uma desconexão
subtrair-se, impressão
trair-se sob pressão
As lacunas
Há lacunas
ritmos inconscientes
as sobras, resíduos...
E o resto é silêncio.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Poesia: é o que Carlos fazia!

Não se mate?
Não.
Não antes do cheque mate.
Em busca da palavra deslimite,
da translação plurisignificativa,
do verso que me falha a calmaria
tipo folhas de erva mate.
Mundo, mundo, vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo,
não me chamaria Drummond,
o que me parece mais sólido
como esses pedregulhos
que me ferem os pés pelo caminho.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Garoto Haitiano

Os pés descalços na poeira,
a velocidade das pernas longas solar
as refeições secas de alegria
o deslocar-se pelo líquido vida purificador,
nada disso intimida o garoto haitiano.
Mas, aos tremores escombros que trucidam,
que fazem suas costas pesarem mais do que o dia-a-dia
submersas de concreto capital
o faz pensar que é o fim de uma guerra,
OU NÃO
é mais um capítulo da batalha que sua biologia se adapta e incorpora
que sua psicologia não reflete mas encara.
São 8 dias sem o mísero pão
São 8 dias sem água em latas
E o fôlego da vida pulsante...
O que parecia imóvel ganha flexibilidade
e das cinzas que deram cor ao poeril
surgem os braços abertos da glória,
da luta diária pela vida.
Diante dos aplausos, dos flashes e focos,
9 anos de intensa vivência nos ensinam:
diante dessas mazelas da vida
quantos de nós resistiríamos?
quantos abririam seus braços?
Diante das mazelas da vida,
Qual o nosso comprometimento?
E do alto dos seus cabelos brancos,
os governantes, empresários e comerciais
tem muito que responder para o garoto haitiano:
Pra que tanta labuta?
Quais as suas condutas?
Bando de filhos da puta!
Vá, emocione-nos garoto haitiano,
abra as asas e voe com suas marcas
para mais vários e vários dias de luta.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Se a alma não é pequena

Risquei a minha alma
em folhas de papel almaço,
amante alma mira o mirante,
miramar alma em alamedas.
Alma que não tem cor
Colorida em suas doloridas doses de obsessão
amores, calma, alma na palma da mão...
A alma do gafanhoto
O desalmado sublime,
no polegar canhoto
as únicas provas do crime.
Alma lavada, desanuviada,
Pirata Alma Negra.
Alma que não creio
Alma que me consome
Almatíca matemática de existir,
equação sem limite.
O olho nu
O corpo cego
Pra onde vai?
De onde veio?
Pra onde foi?
Alma amassada e arremessada ao alvo.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

ANO NOVO

O que esperar do que sempre se espera?
Como não esperar se viver é querer alcançar?
O perigo ronda vestido da mesma esperança
artifícios explodem no ritmo da velha dança
sem expectativas, por favor sem medos,
foi apenas um daqueles contratempos.
Dois mil e dez: inove
é oito, é sete, é seis
é cinco, é quatro, é três
dois um
Amém!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

O cavaleiro andante

Em Irará nasce um tom dissonante
um tom eruditamente simples,
chamado de Zé
Capaz de colocar em choque
os clérigos, os doutos e magistrados
os éticos, trabalhadores e indignados
os céticos, retirantes e conformados.
Esse tom desmente a mente do gene,
desvirtua-se num orgasmo invertido
lava alma na lavanderia
nos retorna a Nave Maria.
Do concreto ao transcendental,
estudioso do samba batido na massa
faiscante esmeril verde amarelo
estudado no pagode das operetas do congresso nacional,
nas lacunas da censura que deixa rastros de seu fede e defere
[movimento.
Do segregamento atolado das musas libertas
do petisco de visgo nascente
ao grau máximo do homo sapiens.
A importação das gravatas enforca e
A exportação da bossa tropical emancipa.
Da enceradeira capacete ao melódico.
Do violão de guerra ao fuzil introdutório.
Todos os olhos se voltam a um,
Todos os homens evoluem em um.
A prostituição infantil barata
se faz como o macaco que bate pedras,
e nesse mesmo tempo, procura um chip que desligue
o companheiro da tal globarbarização.
Todos os olhos, todas as mãos, todas as cores,
não batam palmas, não ovacionem seu espetáculo...
Só entrem nesse transe, nesse tom dissonante
agucem a percepção, e sigamos avante
em coro como ele mesmo pede,
ao Zé: o cavaleiro andante!


Obs: dedicado ao músico, cantor, pensador e grande compositor brasileiro Tom Zé, por que o Tom não desistiu de lutar, chegou aos 74 anos de luta e militância, foi perseguido pela censura, sofreu inveja dos compositores da época, caiu num ostracismo de 15 anos e continuou sua caminhada, sem esmorecer, voltou mais forte ainda, enfrentou os elistismos na Europa, derrubou o branco civilizatório em Montreaux, combateu a igreja e o Papa em tv aberta, cantou a burrice nacional, rasgou terno e questionou em plena ONU, combateu políticos renomados em canções e em discursos, destroçou o companheiro Bush, debateu a prostituição infantil e todo segregamento da mulher em suas obras, frutos da Globarbarização. E nós: todos aqui parados!

Simétricas variáveis

Verdejantes mares bravios,
em que anos me entreguei,
em troca da espera interminável.
Quando encostei âncora ao litoral,
Rememorei todas espumas flutuantes
e de um itinerário delirante
fez-se o pranto sem mar,
sem ânsia de continuar.
Estava sem o amor que me fazia navegar,
sem o reconhecer, sem a cumplicidade.
Travado no cais e atracado no caos.
Contudo, captei o que não permitia,
abri caminhos ao valor que me davam,
adquiri novos instrumentos de navegação,
e então, libertas que será tamém,
delirei em novo itinerário...
e é nesse que me lanço agora,
simétricas variáveis:
no mais perfeito caos!

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

O mundo anda tão complicado

Morte pra não matar
Guerra pra que exista Paz
Milhões pra poder guardar
Migalhas para mendigar

O mundo anda tão complicado
O mundo anda complicado demais
O mundo tá tão computadorizado
O mundo já não é a gente que faz

A vida é curta demais pra jogar xadrez
A vida é circular como o rock inglês
A vida não é como o carrossel holandês
A vida laranja de um sábio chinês

O mundo anda tão complicado
O mundo anda chato demais
O mundo achatado, pasteurizado
O mundo chapado em cartaz

Estruturado, privado, plagiado
O mundo anda complicado
O mundo anda complicado demais
O mundo enviesado em temas de jazz

A vida pós moderna, derrete gelos na Sibéria
A vida pós estruturalismo, avanços do capitalismo
A vida confusa na neblina, o “furacão Caterina”
As veias abertas da América Latina

Mando mensagens do celular
Não suporto o peso do mundo
Se o satélite lhe for leve?
Então me leve
Carregue-me
Em busca do meu espaço
Do espaço sideral
E de volta em volta pelo caos
Cilindradas e variantes
Num mundo que seja, ao menos, menos complicado...

sábado, 7 de fevereiro de 2009

No tempo que eu era criança

No tempo que eu era criança
delírios contornavam minha vida
e eu uma vez confundi um tonel fundo de construção
com uma enorme bola colorida.
Acordava e imaginava morder o muro de suspiros do vizinho,
calçar as botas e seguir aquele longo e denso caminho
do lote da rua de baixo, com as calças cheias de espinhos,
e voltar pra casa correndo de medo do feroz redemoinho.

No tempo que eu era criança
minha cabeça vivia em confusão
não existia ovo nem galinha
mas tinha noite e tinha dia
numa desorganizada organização!

No tempo que eu era criança
já fazia indagação
quem que inventou Deus?
pra mim não cabia explicação...
não cabia na cabeça a santíssima trindade
mas o xampu do meu pai era 3 em 1
ai que tremenda confusão!

No tempo que eu era criança
decidi o famoso campeonato mundial
com dois gols no final do segundo tempo
levei ao delírio um redondo estádio lotado!
Acordei com um beijo a alta moça da vendinha,
salvei as árvores da moto-serra de um carinha,
não dei a mínima chance para monstros e bandidos
inventei fórmulas e loções e perigosos comprimidos!

Depois que cresci ainda vive em mim doses de tal imaginação
as imagens que crio sofreram curiosa mutação,
mas ainda se apresenta em minha mente uma grande confusão!
Eu agora imagino uma roda de sorrisos ao som de acordes de violão,
a minha doce amada eu vestindo com um belo vestido de algodão,
e apenas entrelaçadas num passeio o encontro de nossas mãos,
e novas crianças que como eu viveriam o mundo da imaginação!

Só que agora é nostalgia
é a vontade de reviver o que não posso não!
aqueles tempos em que eu era criança...
Agora o instrumento do pedreiro não é bola, é exploração...
O muro do vizinho não é doce, é só pra proteção,
Deus anda esquecido, pode ser três e pode ser nenhum,
e eu brinco de menino, mas sei que não posso mais ser um.

Meninos de verão

Meninos de verão
a vertigem pontilhada
negro caminho que seguiram
em busca da morada
e os sonhos que tinham
rompidos na curva da estrada.

Meninos de verão
é tarde pra voltar
foi cedo pra se decidir
por que tal experiência tem de ser o fim?
não é na juventude que mora o prazer?
não é tempo de experimentar?

Os limites dos cavalos
o ilimitado som da máquina
um tronco no caminho
voltas em torno do próprio corpo em movimento
a visão pra além do firmamento
o último suspiro ainda foi doce.

A eterna espera dos pais
a terna lembrança do nunca mais
fraterna memória dos colegiais
e aqueles que não conheceram
um sentimento de cumplicidade
a dor feita somente pela projeção.

Meninos de verão
Onde estão?
Onde estarão?
Existem coisas em vão?

Meninos de verão
Não se vão
Aos que aqui ficarão
Um segundo de atenção
Aos novos eternos
Meninos de verão
que agora são cometas
deslizando e se encontrando
na magia da última explosão!

Obs: dedicado aos meninos e meninas que partiram como cometas em acidentes automobilísticos na região de Dracena, interior do estado de São Paulo.

Inconscientes quimeras

Diante do medo que tenho: a solitude,
um amor... o ininteligível.
A constante profusão íntima,
o cunho de sensações
e discrepâncias pra não ceder.
Mas além do desequilíbrio,
do jogo sem vencedor,
do amor que deveria ter limites...
Inconscientes quimeras,
pra que reminiscências aflorem,
pra que, depois do medo que tenho,
assumir: e dizer tudo que flagela
e que faz querer e mais querer.

sábado, 19 de janeiro de 2008

A sua lente

A sua lente projeta a imagem
A vida em cores primárias
A solidão que nos lembra um sonho.
A sua lente capta a imagem
Essências em tons não definidos
Nos rodeia de incertezas,
de constatações,
de encanto pela vida que passa ao nosso redor.
A sua lente reproduz a imagem
e esta não é só reprodução
é o contorno definido de uma outra lente,
a lente ocular, que vê imagens
que estão intrinsecamente ligadas
a mais bela das células,
vermelha como a rosa projetada,
bombeando vida e fogo aos olhos nus.
Esta lente, a sua lente,
Nos mostra o lado claro e o lado escuro
Nos mostra que não devemos nos conformar
Nos mostra que temos sempre o que admirar
Nos devolve toda simplicidade e delicadeza já esquecidas
Nos devolve o apreço pela vida!

Obs: dedicado a Carol Marinho,
uma amiga muito especial, o link do fotolog dela está aí ao lado.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Leveza pluvial

A chuva veio quando eu mais a desejava
Estava submerso pela ausência amada
dias quentes e depressivos
amor demasiado e compulsivo
Não havia suporte pra decadência
O tapete indicava a poeira
e o castigo nos trópicos tórridos
O estado psíquico absorvia metáforas
da vida rodeada de caos humano
Então caiu como todo corpo em movimento,
veio abaixo a sede de vingança do firmamento
E trouxe de volta a paz,
mesmo que por instantes,
De um jeito que só ela faz
E devolveu ao ambiente a pureza
O cheiro sedutor da natureza
E ao amor a leveza
Num rodopio fantástico de certezas.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Não tem explicação

Diante da falta
o deleite pra esquecer
um artefato idealista
a vontade de possuir.

Pobre poeta que não consegue
dar conta de abarcar toda beleza e encanto
de sua amada!

Sentimento inesgotável,
saudade avassaladora,
resultante improvável
tudo nela lembra perfeição...

Saudade que corrói,
lembranças de toques,
abraço consolador,
só o abraço consola a dor!

Caustica angústia.
Sente-se só
Sabe-se um
Volta-se ao pó
Espera-se num...

Num momento em que possa
encontrar explicação
pra tanto amor,
tanto querer,
pra explicar como ela pode,
além da certeza e princípio,
ser toda beleza e domínio...
E ele pobre poeta
que se refugia em versos e estrofes
querendo tê-la entre seu peito
pra além de tudo o que pode.

domingo, 23 de dezembro de 2007

Inundação de amor

há de ter sempre meu amor
e mais do que ele
há de ter sempre meu mais puro lembrar
ser sempre lembrada
há de ter em meu peito sua morada
e viverás rodeada do mais intocável encanto
até que eu tenha força pra querer
e te querer pra sempre minha namorada
e viver para te surpreender
pois quem ama sempre o faz
e não se cansa de fazer
mesmo que seja demodê
e que ninguém nunca acredite
mas em algum lugar,
em qualquer canto
há de ser sempre lembrada
e acordará sendo tocada
numa manhã inundada pelo meu amor.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Festa Cristã

Onde está Cristo na festa cristã?
A cidade toda iluminada
Papai Noel
Peru de Natal
Pinheirinho
Comprar uma roupinha nova
Receber o 13º salário
Os sonhos das crianças
Ganhar o presente que deseja
Milhões gastos em uma semana
Aonde chegamos?
Em janeiro.
Todos de volta aos seus trabalhos.
Horário, ordenado
Pobreza, miséria
Ano Novo – Vida Velha
Diante disso tudo
Meu olho pisca-pisca...
Ai, quanta novidade temos em cada Natal!

Cara a cara

De cara com a vida
A juventude busca explicação
Não encontra em casa,
Nem na escola e muito menos na televisão.

De cara com a realidade
A juventude busca diversão
Começa com o álcool,
Vai para as drogas, tenta a masturbação.

De cara com a rotina
A juventude inverte a situação
Abandona os estudos, a igreja
Não acredita em proteção.

De cara com a mídia
A juventude busca inspiração
Ídolos de rock, psicodélicos,
Poetas malditos, transfiguração.

De cara com o já implícito
A juventude busca sua redenção
Pois ela já não é a mesma
Não tem crenças, ídolos,
Não possui ideologias
Não tem personalidade
E a culpa não é dela,
É do poder, da instituição,
Do ideal oculto, do capital,
Do neoliberal, contra-revolução,
Que destrói sonhos, compra tudo
Lhe desnuda, lhe faz consumir
Tudo rapidamente, sem tempo pra pensar
Na velocidade da moda, da mídia
da mensagem, do “m” da quase morte.

Como lutar contra tudo isso?
Como fazê-los ter compromisso?
Se diariamente, nós, somos os primeiros
a lhes dizer que a culpa é deles,
por não lutar por seus direitos.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Aos leitores do blog

Para os que lêem este blog, gostaria de avisar que participei em Dezembro do ano passado de um concurso literário intitulado XXI Concurso Internacional Literário de Primavera, realizado pela editora AG Print na cidade de São Paulo. Participaram mais de 1.200 candidatos brasileiros que residem aqui e no exterior. Para minha grande surpresa acabei ficando em 3º Lugar na categoria Poesia e fui premiado com a publicação de 2 dos meus poemas (que estão nesse blog nos arquivos) são estes: "Arte e Política" e "Lacunas da percepção".
O livro acabou de ser publicado e tenho alguns exemplares para vender, custa R$ 20,00 e quem quiser comprar entre em contato comigo no e-mail fabioluis_sn@yahoo.com.br. O livro chama-se Um dia de cada vez e contém crônicas, contos e poemas dos 10 primeiros colocados de cada categoria em 159 páginas. A edição é organizada por Arnaldo Giraldo e tem a ilustração da capa feita por Luciana Giraldo.
Fiquei muito contente com essa publicação e devo muito dela a minha namorada Maria que foi quem incentivou que eu montasse esse blog onde tudo começou, aos meus pais pelo auxílio nos meus estudos e a vocês, poucos mais fundamentais, meus amigos que entram aqui e me dão apoio e palavras que jamais esquecerei... Muito Obrigado!
Fábio Luis Neves.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Dias de Hoje

Nos dias de hoje a poesia é o gênero literário menos lido.
Nos dias de hoje seguem-se as desigualdades sociais.
Nos dias de hoje temos vários avanços tecnológicos.
Nos dias de hoje temos corrupção em todos os setores da sociedade.
Nos dias de hoje fala-se em pós-modernidade.
Nos dias de hoje tudo corre a milhão,
a peste, a cura, a guerra, a paz, a mentira, a verdade.
Os dias de hoje não são melhores, nem piores.
Os dias de hoje são os em que a poesia é o gênero literário menos lido.

Até que enfim reformaram o ensino público brasileiro!

Cursos superiores de humanas,
Ensino público, gratuito e de qualidade,
Pesquisas sociais, bandeiras em mãos,
Nada disso gera lucro para a sociedade!

Educação à distância,
Pesquisas em multinacionais,
Cursos técnicos e taxas semestrais,
Notícias distorcidas em páginas de jornais!

Cuidado com o que dizes,
Cuidado com o que pensas,
Cuidado com o que pesquisas,
Cuidado, sobretudo, com as taxas
que não param de avançar, de te devorar e
logo, muito em breve, serão taxas diárias,
Viva a Reforma Universitária!

Menino na esquina da praça

Era um menino na esquina da praça.
O rosto sujo, os olhos muito limpos.
Os pés descalços e um pacote nas mãos.
Em sua frente o trânsito em fluxo.
Ao seu lado pombos e senhores proseando.
Não existe enigma e nem utopia.
Não existe graça e muito menos desgraça.
É apenas um menino na esquina da praça.

Um pequeno recado

Eu não vou ficar parado
e nem vou pedir um trago.
Já vivemos num mundo de escravidão racial
e de limitações a liberdade feminina.
Não vou ficar restrito ao Jornal Nacional,
não perderei meu tempo cheirando gasolina.

Eu não vou ficar parado
e não vou achar que isso tudo é normal.
O que lhe parece aceitável no ser humano,
nos garantirá mais uma década de conformismo.
Não esperarei o próximo feriado,
não ficar parado é um processo do otimismo.

Eu não vou ficar parado
tentando achar o culpado,
como se o culpado só pertencesse ao passado.
E o que fazem com o mundo os marketeiros e publicitários?
Lhe vendem consumo e capital,
ideais contra revolucionários.

Eu não vou ficar parado
até ficar viciado.
Não vou esperar que chegue o óbvio
pra entender que estava tudo errado.
Eu não vou ficar parado
nem vou lhe pedir mais um cigarro.
Pois o proibido um dia já foi permitido.
Hoje, proibido é o que mais gera lucro.
E você achando que o uso do proibido
é fazer revolução, é alternativo.
Pois o permitido também já foi proibido.
Paradoxo, um jogo que me é permitido.
Você somado ao proibido, igual a lucro.
Permitem seu uso camuflado, igual a alienação.

Eu não vou ficar parado
e nem vou mudar de lado.
Não passarei o dia todo vigiado,
não deixarei instalarem chips no meu braço.
Hoje ainda temos "o Grande Ditador",
ele aparece no horário "nobre" como o democrático,
e os revolucionários, lá, são agentes do terror.

Eu não vou ficar parado
Pois sei que a fome humana é tamanha
e o prato oferecido é cada vez mais raso.
Não vou esperar a próxima era me provar.
Para os que têm sede de justiça,
para os que se sentem humilhados,
para os que sabem o que é ser revoltado,
um pequeno, porém grande, recado:
EU NÃO VOU FICAR PARADO!

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Poesia no café da tarde

O aroma do café por sobre a mesa,
o tropicalismo de Caetano no MP3,
um poema inacabado no papel de pão,
frases soltas em minha cabeça.
Lá fora, uma fina garoa no fim da tarde...
A caneta em minha mão e uma doce agonia,
Nisso tudo estava o poema que eu não percebia.

Ps: para Thaís Pascoal.